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Monthly Archives: setembro 2007

texto: Bruno Pavão 

 

Seu Cheiro

 

Não tomamos conta

Nem nos damos conta

De olhos fechados, é mais fácil enxergar

O cabernet ajudou, confesso, a perceber, mas embora não tenha

me dado conta de que seu cheiro importa, seguia com o tato.

Uma paz, seguida de um subir de frio, só conseguia me concentrar

em seus lábios, sua respiração conduzia meus impulsos, tamanha

sintonia.

Uma música veio traduzir, como se tivéssemos pulado ondas, feito oferendas, jogado

flores, as palavras completaram.

Lembrei de minhas mãos, naquele momento só me dei conta de uma

que acariciava seu rosto, a outra havia sido esquecida em seu colo, mas

como querer se ter controle, se um turbilhão de emoções nos faz reduzir-se a instintos.

Semi-serrei os olhos, pude contemplar um contra-luz provindo de um poste

que iluminara seus cabelos e contornava toda aquela magia.

Me despedi, estava frio, mas não o sentia.

Com aquela música em minha cabeça levei as mãos a face, olhei para trás,

mas ela não estava mais lá.

Naquele momento dei-me conta de que aquele cheiro seria irreversível em minha

memória, estará marcado pelo resto de minha vida em meu coração.

 

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